quarta-feira, 30 de julho de 2008

Realismo X Romantismo e a Terceira Via

Para muitos, ser romântico é negar a realidade da vida, da mesma forma que ser real é não ter absolutamente nenhum romantismo. Entretanto, eu quero defender aqui uma Terceira Via que passe pela realidade da vida, mas que defenda o amor, o afeto, o companheirismo, a amizade e todos os demais valores românticos. Até porque, entendo que não seja possível pensar de outra maneira e por mais dura, real e até cruel, que possa ser a vida, ela sempre dependerá de momentos amenos e de situações emocionais boas ou ruins.
Quando penso nas intrincadas relações entre os homens e da necessidade dessas relações serem sérias e verdadeiras, logo me vem à mente a realidade nua e crua, porém quando penso que a realidade é muito dura, procuro aparar as arestas e amenizar um pouco os danos produzidos pelas complicações nas relações. Os sentimentos que se sobrepõem à realidade nessa hora, não só mascaram sua dureza, como amenizam sua força e acalantam seus efeitos.
O romantismo, embora para muitos, fora de moda, continua existindo e constitui-se num elemento fundamental nas relações humanas. Entretanto as relações não podem ser apenas e tão somente românticas, porque assim “não dão liga”, fica faltando algo. Há necessidade de uma base concreta e real que justifique a relação. Ninguém ama por nada, assim como ninguém quer por querer ou faz por fazer. Sempre existe um algo mais, tanto real, quanto romântico, que justificam as ações. Assim, não dá para separar o realismo do romantismo. Aliás, ao contrário, devemos unir cada vez mais essas duas extremidades e procurarmos um ponto de equilíbrio entre as duas, porque aí certamente estará o melhor lugar.
Esse ponto de equilíbrio é o que eu estou chamando de Terceira Via, que embora natural, nunca foi efetivamente definida e muito menos estabelecida conceitualmente, mas precisa ser, para que se tenha a devida dimensão de sua importância nas relações humanas. Ainda que não entendamos bem o porquê, temos certeza absoluta de que uma boa razão não se faz sem paixão e nem uma boa paixão pode ser verdadeiramente boa se acontecer fora da razão. Ora, isso é a própria Terceira Via, que se quisermos conceituar, poderíamos dizer que “é aquela maneira de pensar e de agir, na qual se estabelece a realidade da ação imperante mediante o sentimento efetivo daquilo que precisa ser realizado para o cumprimento dessa ação”.
Pois, então, precisamos nos preparar sempre e agora com um pouco mais de cuidado, para esse ponto de encontro entre as componentes natural (real) e emocional (romântica). Temos que estar cientes de que isso existe e de que isso é importante para nós e para as nossas relações com as demais pessoas. Nossa vida será melhor e a vida das pessoas que convivem conosco também será, se nos preocuparmos com o ponto de equilíbrio e se nos envolvermos conscientemente com a Terceira Via.
Até aqui, muitos de nós têm sido seres perigosamente reais e penosamente românticos, ou vice–versa, mas que agora precisamos cultivar em nosso pensamento a necessidade de agirmos de maneira sóbria sobre essa situação que, embora filosoficamente seja contrastante, mas que também é fisiologicamente concludente e necessária ao nosso bem viver. Entender a necessidade da Terceira Via pode nos garantir melhores momentos, melhores dias e enfim, uma vida melhor.
Vamos trabalhar para colocar a Terceira Via na pauta das ações do cotidiano, a fim de produzirmos melhores homens e mulheres para o futuro. O equilíbrio entre o realismo e o romantismo deve ser a meta para o novo comportamento social da humanidade. O homem do futuro deverá ser um sujeito preocupado com a realidade, porém suficientemente envolvido nas questões emocionais para não cometer atitudes contra o planeta, os demais organismos vivos e principalmente contra a própria sociedade humana.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial